Vamos conversar...

Tudo nesta vida tem conserto muitas vezes só precisamos desabafar, ter alguém que nos ouça ou até mesmo mostre uma luz para clarear nossas decisões.
Resolvi criar este espaço porque sei que muitas pessoas utilizam a internet para fazer amizades e poderem conversar.
Estou aqui para ajudá-los, espero que possamos trocar experiências e juntos melhorar nossos pensamentos e atitudes diante da vida e do próximo.
Espero que gostem de interagir neste espaço criado com carinho para nós!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Livro da minha infância...


RIQUE ROQUE

Adaptação de Maria R. do Amaral

          RIQUE ROQUE era um ratinho muito guloso e sonhador. Tinha a cauda fina e comprida, como um chicotinho. Uns olhos vivos e um focinho mais buliçoso que já se viu. Morava em um grande quintal. Sua toca ficava bem perto do muro. Mas ele pouco parava lá dentro. Vivia a roer aqui e acolá, com seus dentinhos de serra. E gostava muito de passear.
          Tinha muitos amigos ali no quintal. Quem conhecia Rique Roque gostava dele na certa. Os outros bichinhos achavam graça na sua figura esperta. Miúdo e apressado, vivia distraído com suas idéias e suas artes. Que ratinho engraçado e travesso! Vivia sempre a procura de aventuras. Sua vontade era descobrir coisas, lugares novos ou petiscos cheirosas e gostosos.
          Safava-se das ratoeiras que os homens colocavam para pega-lo. Por pouco não era apanhado pelas garras afiadas de Negrito o gato da casa. Mas levava a vida a sonhar. Como era muito guloso, procurava ir buscar toucinho e queijo na dispensa. Certa noite, estava ele na porta de sua toca e em vez de olhar o chão em busca de migalhas, olhou para o céu e viu a lua. Nunca dera com ela tão redonda e branca, brilhando entre as estrelas. Ficou admirado. Chamou o seu amigo jabuti e falou:
          _Olhe, Jabuti, olhe só aquilo no céu, que será?
          _É a lua Ríque Roque! Respondeu o Jabuti.
          _Lua? Qual, amigo; aquilo é um queijo.
          O Jabuti não pode evitar uma risada de caçoada.

          Procurou convencer o ratinho que a lua não era queijo. Mas o guloso do Rique Roque nem se importou com o que dizia o amigo, e saiu contando a todos os bichos, que vira um queijo no Céu. E o pior é que ficou louco para ir comer o tal queijo. " A dificuldade, pensava o guloso- é subir até esse queijo tão alto. Como farei?" Enquanto pensava, Rique Roque, Passeava de um lado para outro no quintal. Enquanto, isso estava inquieto e com o rabinho a tremer. Mãos cruzadas as costas e focinho para o ar, estudava um meio de ir a lua.
          Pedir asas emprestadas ao amigo Bem-te-vi, seria tolice; não sabia mesmo voar. Depois rato com asas até pareceria morcego! E isso é que ele não queria.
          Construir um balão seria impossível! Ir nas costas de um tico-tico, era coisa arriscada; podia perder o equilíbrio e... adeus Rique Roque!... Afinal teve uma idéia! Foi até ao canto do muro e chamou dona aranha. Era uma velha amiga, muito paciente e bondosa. E pediu: "A senhora pode me fazer um favor? Preciso subir no Céu para comer aquele queijo. Quer me construir uma escada com os fios com que faz as suas teias?" A aranha vendo que o ratinho apontava a lua, deu risada. Procurou convencei-lo de seu engano:
          _Aquilo é lua, meu amigo...

          Mas Rique Roque era teimoso. Vendo que ele não mudava de idéia, dona aranha prometeu fazer uma escada. Foi buscar o seu novelo e levou toda a noite ocupada. E teceu para Rique Roque, uma escada longa e bastante resistente. Na noite seguinte, lá estava a lua no alto, brilhante e redonda. O ratinho já tinha a escada, mas onde prende-la para subir ao céu? Procurou seu amigo lanternimha que era um alegre vaga-lume, e perguntou: Vaga-lume, quer prender a ponta desta escada no Céu, para eu subir? O vaga-lume achou graça, mas resolveu não magoar o amiguinho. Pegou a ponta da escada e prendeu la no alto do telhado. Rique Roque amarrou uma merenda num lencinho e pendurou-o no ombro pois julgava que a viajem fosse muito longa. Despediu-se da bicharada do quintal, e todos acharam aquela viagem uma loucura. Mas quem iria convencer o ratinho mais sonhador deste mundo? Voltou por duas vezes, pois ficou muito cansado. Mas não desistiu.
          Queria mesmo aquele queijo. Subiu novamente e os amiguinhos em baixo diziam: sobe Rique Roque, sobe que falta pouco. Ele já punha a linguinha de fora de tão cansado. Suas patinha tremiam. Desceu novamente. Pobre Rique Roque, disseram os seus amigos, temos que ajuda-lo. Vamos arranjar um queijo e pendurar no telhado; Assim ele come o queijo e pensa que comeu a lua. Todos aplaudiram. É mesmo uma idéia ótima. Conseguiram o dinheiro com dona baratinha, e compraram um queijo grande, redondo e muito branco. O mico pula trepa subiu no telhado e amarrou o queijo bem na ponta do telhado, com a corda de teia que dona aranha havia feito. Tudo isso escondido de Rique Roque. No outro dia foram ver a nova subida do ratinho. Ele não desanimara, Veio bem disposto. E lá se foi escada a cima...
          Já ia ficando cansado, mas olhando para cima viu o queijo tão pertinho que se animou todo. Podia até sentir o cheiro bom que dele vinha...
          _Upa, mais um pouco, dizia para si mesmo.
          E patinha aqui, patinha ali, lá subia nosso herói.
          _Upa!.. Afinal! ali estava o petisco desejado, cheiroso e fresquinho. E pensava. Todos diziam que era lua! Eu sabia que era um queijo. Mas lá no Céu a Lua ria, escondida entre as nuvens, daquele ratinho sonhador. Ele soltando as amarras, deixou que caísse o belo queijo, e desceu rapidamente a escada, e logo chegou para come-lo. E enchia a barriguinha, muito contente.
         No dia seguinte, todos queriam ver o ratinho tão feliz. Este ainda guardou uns pedaços do queijo para os amigos. Mas o mico pula trepa estava preocupado. E quando o Rique Roque ver de novo a Lua no Céu?....Será que não vai desconfiar de nossa brincadeira?
          _É mesmo, comentou o Jabuti.
          _E todos ficaram pensativos.
          _Mas nada aconteceu. Por diversas noites a lua ficou encoberta com nuvens, e choveu muito. E na outra semana a lua já não estava mais redonda. Era tempo de minguante e ela só apareceu fininha e curva. E Rique Roque que andava olhando o céu, ao vê-la assim, comentou com o Jabuti:
          _Comi todo o queijo do Céu... Só deixei a casca.
          _Esse Rique Roque...
UM VERSO
Foge ratinho, da ratoeira
Que ali no escuro te quer prender
Toma cuidado, se o queijo cheira
Há! Foge depressa, foge a correr

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